shidon soares


03.07.2014



Escrito por shidon às 14h04
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


O MAR


Eu não fiz

       Nada.

Eu não tinha

Que fazer nada

A não ser olhar o mar 

E chorar.

 

07.07.2013




Escrito por shidon às 19h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


FARSA ALIENA

 

I

 

Madrugada via vestida de skipe

Escape me fala o som da tua voz

Clara imagem como num filme de Spyke Lee

O refelexo dos ególatras se espelhando no fluído

Plástica tela de ondas virtuais narcotizante

Corrente eletromagnética a se desdobrar em nuvens

Luzes vadias e vazias de calor

Pelo ar alguma ternura

A ternura de ser humano.

 

II

 

A via láctea é tão grande quanto os rios,

E é da mesma quantidade dos mares e dos ventos;

Somos um vértice em vórtice rodopiando no fogo,

As calotas do sol derramando suspiros de luz da humanidade.

 

II

 

Não há vida que conte uma diferença:

Todo pássaro se condensa num beija-flor de asas luminescentes.

Barro, somos feitos um para o outro;

Humanos, nos adoramos a nós mesmos.

E os ventos, que jamais pousam,

Estão a soprar outros ventos em outro lugar.

 

04.03.2013


 




Escrito por shidon às 21h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


EXISTO

 

Torço a cabeça para a direita,

Prego o olho no calendário

E nele leio os dias;

 

Os dias que passaram, o que agora passa

E os que virão.

 

E vejo outros dias calcados no calendário do tempo-espaço.

Aqueles que não existiram, não existem,

E jamais existirão.

 

Por vezes, muitas vezes,

A vida á o impossivel acontecendo.

 

04.03.3013




Escrito por shidon às 20h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


GOLE

 

Um gole é muito pouco;

Me dou inteiro cheio pra você beber

Te quero inteira derramando pra seres a minha bebida.

 

19.02.2013



Escrito por shidon às 18h19
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


SOLIDÃO

 

A solidão também é bela.

Às vezes é clara e arde como lâmpada elétrica

De outras penumbra e queima como luz de vela

E tanta uma quanto outra é frenética e fere;

Importa que fora dela alguém esteja à nossa espera.

 

18.02.2013



Escrito por shidon às 19h55
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


EDITE

 

Há mulheres por todos os cantos da terra.

E se existe entre todas uma mulher de poder

Tu és mais que ela na escala de um a cem,

E na sala das mulheres que habitam a carne

Em meio à treva, és a iluminada,

Porque enxergas com olhos de luz as labaredas da escuridão

E serves de mão e guia aos que se guiam e são amantes da poesia.

Porque poesia, irmã, é uma coisa que está para além da amizade,

Para além do muro e da parede que divide o que é um em dois,

Haja visto, poesia é outro lugar, um outro céu

E uma outra terra

E é todo lugar,

E por isso a poesia está aqui onde estás agora

E só não supera o amor,

Porque a poesia, amada, é o próprio amor.

 

Por isso te amo com tanto e com tão intenso ardor,

Porque és entre as mulheres,

Nem profeta, nem virgem prometida, nem atriz, nem ateia,

Mas mulher, parte do que se criou na criação e permanece.

 

Desde o início do começo das coisas,

O sopro vivente de tua voz fluido sutil no azul se espalha

E em tua voz reverbera o que se estende ao longo e ao longe se espraia

Voz que vai além e mais, mágica e deslumbre a se desdobrar,

Sino, cantilena, verbo e canção de gesta, trova e toada,

Cavalgada de vogais e consoantes no tempo o eco da tua voz,

Consonância na fartura de versos e línguas dos homens na grande Babel,

Porque, criadora que és,

Na tua voz está claro e lúcido o nome das coisas,

O véu da poesia em tua voz se rasgando a descoberto os céus,

Qual rosa em harmonia que se desabrocha 

E em sacrifício oferta seu perfume ao vento.

 

Tu que vieste para recitar "A Senhora das Tempestades"

E outros alentos em palavras que se revestem de fogo e encantos,

Ó mulher que cobres meu coração de alegria e espanto

E regas as rugas do meu rosto de barro com lágrimas de sal,

Derramai sobre o pano da  terra a tua voz líquida e plena de significados,

Destaca pelo tempo-espaço a força do teu cantar,

E faz vibrar as cordas que se estendem até a morada dos deuses.

 

No entanto,

Nos limites desta casa de palavras

No círculo dos teus servos-ouvintes, ó sacerdotisa, 

Aqui, onde o teto se faz limite é que se dá a magia,

Ó mulher que vestes o vestido de carne nesta mulher,

Eis-me aqui, teu aliado, discreta e encantada cria.

 

A ti, ó mulher cantante ofereço das horas o dia,

A ti, que carregas na própria sombra outra sombra,

A sombra daquela que tem o mais belo dos nomes,

Izabel, em que o casto e a pureza fizeram morada,

A que traz e leva a boa-nova, poesia, fulgor no firmamento

Cúmplice da humildade de dar-de-si o que a luz revela,

Ó irmã da minha carne instrumento de versos e poemas,

Que aos homens anuncia ser a poesia trilha e caminho,

Luz da palavra acesa no olho da escuridão.

 

A ti que és mistério,

Da mãe, das filhas, das putas, das pudicas, das impúberes,

Das impuras, das que são ruins e daquelas que são piores,

A ti, que guardas na voz o mistério a ser revelado,

Dentre as colunas, os selos, os paradoxos e paradigmas,

A ti, que és a prova final do numerais que o homem inventou e neles se enreda,

A ti que és a poesia e o despertar dos homens,

A ti que és, ó Rainha,

Mãe deste inexato enigma chamado Homem,

E que aos homens e mulheres fala poesia,

A ti, Edite, o meu olhar.

 

16.02.2013

 


 



 




 





Escrito por shidon às 17h22
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


A DISTÂNCIA

 

Sei que és a delícia das horas

Delicadeza e cheiro de rosas,

E que estás distante dias.

 

E ainda que seja verão, frias

São minhas manhãs e tardes de espera.

Assim, jardim tomado de hera

Em meio às folhagens de sonhos

Insone deliro menino bisonho,

 

Beber café com você e em você

Sem razão e nenhum por que

Te pegar nos braços e dançarmos nus

Na manhã quente a tarde inteira ao som de um blues.

 

15.02.2013



Escrito por shidon às 18h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


SUICIDA

 

Ainda que esteja numa rua sem saída,

É pra você que eu sempre olho, meu amor,

Uma única certeza guardada na ferida:

Não cortarei meus pulsos em furor.

 

14.02.2013

 




Escrito por shidon às 20h31
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


CONVITE II

 

Cores em aquarela que és

Vem te esparramar em mim

Tela em branco à tua espera.

 

14.02.2013



Escrito por shidon às 19h04
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


CONVITE

 

Quando beberemos um ao outro

E juntos um café?

 

14.02.2013




Escrito por shidon às 19h03
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


REZA BRABA

 

Senhor, me levantei hoje repleto de alegria.

Tu o sabes, todos os dias da minha vida assim o tem sido.

Poderá o sol não brilhar aqui agora em mim,

Mas as bagas de trigo douradas estão a se dobrar no campo,

Igual querendo reverenciar toda beleza que se estende pelos céus.

E as abelhas, certas de saberem o que fazem,

Flor-a-flor estão a beijar e espalhar o pólen que reproduz a vida.

 

Eu sei, Senhor, muitas vezes a existência se torna amargo ácido,

Feito um caldo gosmento que entorna e se impregna nas veias,

E minhas horas nessas horas se enchem de desvairo,

Qual fosse eu um sátiro a atirar setas venenosas nas teias do existir.

Então escrevo espinhos, imensos vazios, vertigens, abismos, dores,

Esperanças que se fragmentam pelo espaço-tempo em labirinto

Cacos de vidro que se cravam em minha alma e caminhos

Instantes em que não vejo nem encontro qualquer saída,

Tardes nas quais se esvaem todas as minhas forças

E inúteis se fazem o clamor e as lágrimas desatadas em desalinho.

 

Mas, vede, Senhor, respirando o sopro de calor do teu vital sopro,

Hoje me levantei feliz, homem feliz que sou, à parte os ventos e moinhos.

Bebi meu café, comi da terra o pão e começou:

Me invadiram as coisas do viver, dobraram os sinos

Trabalho, cores, poesia, jornais, notícias, 

Todos nós rodeados e roteados pela tecnologia,

Embarcação que tomamos sem saber a que lugar  nos levará.

Internet, facebook, instagram, google, twiter, orkut,

A perfeita invenção levando o homem à prisão em si mesmo.

E vi entre as grades da malha virtual enredados,

Sobre o palco o falso brilho de homens que se travestem de poetas da auto-ajuda,

Cães a se proclamarem vira-latas enroupados de humildade,

Quando em verdade o que anelam é serem bem pagos vagabundos.

E não se fazem de rogados, Senhor, de boca cheia falam em nome do amor,

Feito saldo em fim-de-feira com preço baixo se auto-depreciam,

Mas se sabem valor de mercado, aqui e ali pedindo uma ajudazinha,

Cometendo orações em que cospem versos com o nome de Deus,

Aos crentes incautos, viúvas, solitários e abandonadas, aos quais encenam atitudes vazias

Àqueles crentes sem rumo que se arrastam e ao redor deles feito moscas se amontoam ,

Crentes de terem encontrado um lugar para descansar suas carestias.

 

Então, Senhor, ouço a chuva e uivos de alegria encharcam a minha alma.

E sou um homem feliz porque posso ver e ouvir a chuva cair,

E sei que a chuva não lavará os meus pecados,

Que são muitos e de variadas espessuras e calibres.

 

A chuva passa, ares limpos e em águas passadas as calçadas,

Diante de outros homens paro, homens preocupados,

Ou mais que pré, na soberba ocupados com Malafaias, Soares,

Waldomiros e Edires, vestidos nas suas alfaias de feno,

Os de fora invejosos dos de dentro com fama e grana entesouradas,

Cada qual com seu discurso na intenção e ardil de comover as pedras,

E outros atacando a bela que brilha na tela acesa da mal falada rede de TV,

Prontos e maquiados para se for o caso nela aparecer sem paga de cachê.

São os Simeões Estilitas a se curvarem aos próprios pés diante da multidão,

Inútil sacrifício de ascetas da ilusão a deitar pelo chão os castelos de areia.

 

Senhor, levantei-me hoje repleto de alegria,

E descrevi o que no correr do dias vi,

E isso, Senhor, isso não me faz ou me fará menos feliz.

Ver nos homens ser o que são,

Centelha que sou foi me ver no espelho cara-a-cara,

E não obstante eu nada ser, nada posso negar do que vi e vivi.

 

A chuva voltou a cair de novo.

 

07.02.2013



 

 

 

 




Escrito por shidon às 14h21
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


VERTIGEM

 

Desdobra-se, feito negro profundo abismo

Diante de meus pés o tapete insondável da noite

Em toda a sua extensão a vertigem dos dias,

Tempo-espaço recheado da teia das galáxias,

Nuvens de gás, buracos negros, quasares,

Distâncias incompreensíveis 

E mistérios que jamais ser-me-ão revelados.

 

Embriagado do torpor das horas,

O sangue nas veias a latejar vozes do passado

Entre as mãos seguro meu crânio e me percebo,

Sou uma armação óssea recheada de carne e sangue

E por um instante quase acredito,

A vida é bela, larga e iluminada a estrada,

Para no instante seguinte me deixar cair na real:

A vida, em verdade, é um abismo de indecorosas misérias,

Dores lancinantes edulcoradas pela inexplicável e humana,

Tão absurda, estupidamente humana esperança.

 

Largo a pesada cabeça de entre as mãos e deixo tombá-la,

Outra vez a esperança se arrastando ao meu lado

Sombra dos meus mais impossíveis desejos,

Meus dedos mergulhados entre lágrimas,

Em fuga a translúcida e desvairada alegria vivida,

Momentos que dividi com alguém amado,

O vento solar soprando em mim estranha fantasia,

Pesadelo que se rasga e se renova entre os dentes da razão.

 

E enquanto desato metáforas e amarras de nó cego,

Ao longe vejo vindo em minha direção a madrugada.

Penso repouso entre as brumas do cansaço,

E de adormecer acordam em meu coração bocas de pavor

O orvalho dos séculos respingando ressumar de  espinhos,

Sobre as pétalas do destino o derrame da melancolia das eras,

Até o inexorável amanhecer.

 

02.02.2013




Escrito por shidon às 20h40
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


AGUARDENTE

 

Pode chover em mim o quanto for de tuas águas.

Sou um poço sem fundo de sede por você.

 

04.02.2013



Escrito por shidon às 19h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


CENÁRIO

 

Misturar-me com você sem clichê;

No escuro de um quarto

Luz, câmera, tesão,

Cena de cinema único ato.

 

4.02.2013



Escrito por shidon às 16h34
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis