shidon soares


EDITE

 

Há mulheres por todos os cantos da terra.

E se existe entre todas uma mulher de poder

Tu és mais que ela na escala de um a cem,

E na sala das mulheres que habitam a carne

Em meio à treva, és a iluminada,

Porque enxergas com olhos de luz as labaredas da escuridão

E serves de mão e guia aos que se guiam e são amantes da poesia.

Porque poesia, irmã, é uma coisa que está para além da amizade,

Para além do muro e da parede que divide o que é um em dois,

Haja visto, poesia é outro lugar, um outro céu

E uma outra terra

E é todo lugar,

E por isso a poesia está aqui onde estás agora

E só não supera o amor,

Porque a poesia, amada, é o próprio amor.

 

Por isso te amo com tanto e com tão intenso ardor,

Porque és entre as mulheres,

Nem profeta, nem virgem prometida, nem atriz, nem ateia,

Mas mulher, parte do que se criou na criação e permanece.

 

Desde o início do começo das coisas,

O sopro vivente de tua voz fluido sutil no azul se espalha

E em tua voz reverbera o que se estende ao longo e ao longe se espraia

Voz que vai além e mais, mágica e deslumbre a se desdobrar,

Sino, cantilena, verbo e canção de gesta, trova e toada,

Cavalgada de vogais e consoantes no tempo o eco da tua voz,

Consonância na fartura de versos e línguas dos homens na grande Babel,

Porque, criadora que és,

Na tua voz está claro e lúcido o nome das coisas,

O véu da poesia em tua voz se rasgando a descoberto os céus,

Qual rosa em harmonia que se desabrocha 

E em sacrifício oferta seu perfume ao vento.

 

Tu que vieste para recitar "A Senhora das Tempestades"

E outros alentos em palavras que se revestem de fogo e encantos,

Ó mulher que cobres meu coração de alegria e espanto

E regas as rugas do meu rosto de barro com lágrimas de sal,

Derramai sobre o pano da  terra a tua voz líquida e plena de significados,

Destaca pelo tempo-espaço a força do teu cantar,

E faz vibrar as cordas que se estendem até a morada dos deuses.

 

No entanto,

Nos limites desta casa de palavras

No círculo dos teus servos-ouvintes, ó sacerdotisa, 

Aqui, onde o teto se faz limite é que se dá a magia,

Ó mulher que vestes o vestido de carne nesta mulher,

Eis-me aqui, teu aliado, discreta e encantada cria.

 

A ti, ó mulher cantante ofereço das horas o dia,

A ti, que carregas na própria sombra outra sombra,

A sombra daquela que tem o mais belo dos nomes,

Izabel, em que o casto e a pureza fizeram morada,

A que traz e leva a boa-nova, poesia, fulgor no firmamento

Cúmplice da humildade de dar-de-si o que a luz revela,

Ó irmã da minha carne instrumento de versos e poemas,

Que aos homens anuncia ser a poesia trilha e caminho,

Luz da palavra acesa no olho da escuridão.

 

A ti que és mistério,

Da mãe, das filhas, das putas, das pudicas, das impúberes,

Das impuras, das que são ruins e daquelas que são piores,

A ti, que guardas na voz o mistério a ser revelado,

Dentre as colunas, os selos, os paradoxos e paradigmas,

A ti, que és a prova final do numerais que o homem inventou e neles se enreda,

A ti que és a poesia e o despertar dos homens,

A ti que és, ó Rainha,

Mãe deste inexato enigma chamado Homem,

E que aos homens e mulheres fala poesia,

A ti, Edite, o meu olhar.

 

16.02.2013

 


 



 




 





Escrito por shidon às 17h22
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A DISTÂNCIA

 

Sei que és a delícia das horas

Delicadeza e cheiro de rosas,

E que estás distante dias.

 

E ainda que seja verão, frias

São minhas manhãs e tardes de espera.

Assim, jardim tomado de hera

Em meio às folhagens de sonhos

Insone deliro menino bisonho,

 

Beber café com você e em você

Sem razão e nenhum por que

Te pegar nos braços e dançarmos nus

Na manhã quente a tarde inteira ao som de um blues.

 

15.02.2013



Escrito por shidon às 18h20
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SUICIDA

 

Ainda que esteja numa rua sem saída,

É pra você que eu sempre olho, meu amor,

Uma única certeza guardada na ferida:

Não cortarei meus pulsos em furor.

 

14.02.2013

 




Escrito por shidon às 20h31
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CONVITE II

 

Cores em aquarela que és

Vem te esparramar em mim

Tela em branco à tua espera.

 

14.02.2013



Escrito por shidon às 19h04
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CONVITE

 

Quando beberemos um ao outro

E juntos um café?

 

14.02.2013




Escrito por shidon às 19h03
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